Mosteiro do SS.mo Sacramento
Comunidade das Irmãs Clarissas do Desagravo - Louriçal
 
     
     
     
     
     
   
 

Portaria do Mosteiro

 

Com a instituição das Escravas do Santíssimo Sacramento surgia a necessidade de construir um Recolhimento, onde pudessem viver comunitariamente o ideal eucarístico. Então, ergueu-se, nas dependências da casa do pai de Maria do Lado, o Recolhimento, com a ajuda da herança das Recolhidas e do povo do Louriçal. Oito anos após a morte da Serva de Deus, a 28 de Abril de 1640, o Bispo de Coimbra lançou a primeira pedra para a construção da Igreja. Terminadas as obras, foi benzida em 1652. Vinte e um anos depois, o Sumo Pontífice deferiu o pedido apresentado pelas Recolhidas de terem o Santíssimo Sacramento exposto na sua Igreja. Fez a exposição solene o Bispo de Coimbra, D. Frei Álvaro de São Boaventura. Desde então, duas a duas permanecem dia e noite em adoração.
A fama das virtudes da Fundadora das Recolhidas Escravas do Santíssimo Sacramento chegou à corte do Rei D. Pedro II. Tomado de zelo e devoção, decidiu transformá-lo em Convento, mandando ao Louriçal o Arquitecto João Antunes, a fim de lhe fazer a planta. As obras tiveram início no dia 9 de Março de 1690, subsidiadas pelo contributo real e a boa vontade das pessoas devotas do Santíssimo Sacramento. Entretanto, o número das Recolhidas ia aumentando.
Depressa chegaria maior incremento reservado por Deus para esta obra. Um dos irmãos mais novos de Maria do Lado, P. Francisco da Cruz, era confessor da casa real. No ano de 1700, o Príncipe herdeiro de D. Pedro II, futuro Rei D. João V, adoeceu gravemente. Nessa altura, o P. Francisco da Cruz propôs-lhe confiar a sua situação a Deus por intermédio da Madre Maria do Lado. Então, o Príncipe, venerando uma relíquia da Serva de Deus, prometeu fundar e dotar, à sua custa, o Convento para as Recolhidas Escravas do Santíssimo Sacramento, se obtivesse a cura. .
Igreja do Mosteiro do Louriçal - Interior. Visível ao centro da imagem o trono do SSmo Sacramento. Imagem obtida a partir do interior do coro alto no local onde as Irmãs durante 24 horas por dia permanecem em oração e adoração ao Santíssimo Sacramento. Visível na parte superior e infeior da imagem, parte do gradeamento existente no localAchando-se curado, exarou o voto, que foi entregue ao P. Francisco da Cruz. As obras seguiram o traçado de João Antunes e foram terminadas em 1709, tendo a sua inauguração ocorrido a 8 de Maio do mesmo ano. Para a sua fundação, foram nomeadas as Madres Archangela dos Serafins Evangelista, Maria Teresa do Sacramento, Maria de Jesus Evangelista e Maria de Santa Anna, Religiosas Capuchas do Real Convento de Santa Helena do Calvário, de ÉvoraTerminado e povoado o convento, D. João V encarregou o Padre Manuel Pereira de fazer a planta para uma nova Igreja. As obras iniciadas em 1734, exigiram um reordenamento de urbanização do Louriçal. No templo, de estilo barroco, cujas paredes estão totalmente revestidas de azulejo de óptima qualidade podem admirar-se várias séries de painéis: no transepto, a vida de Santa Clara e ainda quatro cenas alusivas à vida da Virgem Maria. Na nave, uma imposta separa duas séries de painéis: a inferior relata à vida de São Francisco de Assis, enquanto na superior se enquadram momentos e motivos da Paixão de Cristo. Os milagres de Santo António e quadros bíblicos do Antigo Testamento são apresentados no coro baixo e alto respectivamente. Para os retábulos, cujo traço arquitectónico é do artista húngaro Carlos Mardel, foram escolhidos mármores polícromes das pedreiras de Lisboa e entalhados por João António de Pádua. Na abóbada da nave, um fresco representa a Santíssima Trindade e ainda São Francisco e Santa Clara adorando o Santíssimo Sacramento. O templo, exemplar valioso da arquitectura religiosa do tempo de D. João V, foi inaugurado a 27 de Outubro de 1739 pelo Dr. Manoel Moreira Rebelo, Cónego Penitenciário da Sé de Coimbra e Vigário Geral do Bispado, sede vacante.
Volvido um século, ventos liberais sopram em Portugal. O decreto de extinção das Ordens Religiosas e mais tarde o regime republicano obrigam as Irmãs a abandonar o Convento, a 14 de Outubro de 1910. Foram dezoito anos de longo exílio, enquanto, no edifício conventual, se instalaram os militares e mais tarde a GNR. As Irmãs dispersas não perderam a esperança de voltar ao recolhimento sagrado do claustro. Em Dezembro de 1927, o convento foi leiloado e comprado pela Madre Maria de Nazaré e outras Irmãs sobreviventes que, a 14 de Janeiro de 1928, regressaram.
Os estragos causados no convento e a grande penúria não impediam o desabrochar da esperança que Deus confirmou com novas vocações. Assim, à extinção, que aconteceu em 1878, sobrepôs-se o reconhecimento canónico e a Profissão Solene das 18 Irmãs presentes no convento, numa cerimónia presidida por D. Ernesto Sena de Oliveira Bispo-Conde de Coimbra, a 24 de Março de 1958.